Quarta-feira, dia 03 de março, 22h.
Quinta-feira, dia 04 de março, 22h.
Entrada Livre

Este ciclo apresenta dois olhares sobre o PREC (Processo Revolucionário em Curso): um visto pelos portugueses (“As Armas e o Povo”) e outro visto pelos estrangeiros (“Torre Bela”). Dá-se a revolução, a 25 de abril de 1974, o povo ocupa as ruas, aliando-se ao exército. Há que registar a revolução em curso. Há que filmar e documentar este agitado período que Portugal vive. É em cima do acontecimento que surgem estas obras cinematográficas.

Tendo o cinema português vivido praticamente sob o domínio da ditadura militar, aquilo que se assistiu nos dois primeiros anos que se seguiram ao 25 de abril, foi um período muito “fértil em experiências, conflitos, lutas partidárias e busca de novas formas de expressão, apresentação e intervenção cinematográfica.”. Era preciso filmar a revolução em curso e os seus protagonistas e tal foi possível com o advento de câmaras mais portáteis, e práticas de manusear no exterior, sobretudo de 16mm, e com a equipamentos de som mais leves. Tenta-se afastar o ‘cinema novo’, dos anos 60, e urge a necessidade em criar um novo olhar sobre a contemporaneidade. No ‘cinema de abril’ surge um cinema militante e ideológico, que tinha como objectivo revelar uma realidade portuguesa, que o Estado Novo sempre negou em mostrar, transformando assim o público e para beneficio das novas gerações. É nesta altura que o documentário se junta à revolução e também ele se revoluciona. Passa a adaptar formatos e linguagens televisivas e jornalísticas, permitindo uma maior proximidade com o público, pois o filme torna-se mais comunicativo.

Viajaram para Portugal muitos realizadores e equipas de reportagem e fotógrafos estrangeiros, registar um acontecimento inédito na época, na Europa, a revolução dos cravos. Desse período foram criados muitos filmes militantes e etnográficos. Esse período foi o PREC (Processo Revolucionário em Curso). O PREC foi o período das atividades revolucionárias, que se iniciaram a 25 de abril de 74 e que terminaram em 76, aquando da aprovação da constituição portuguesa. O ano de 1975 foi o período mais empolgante, tenso e dramático deste processo, daí ser conhecido como o “Verão Quente de 75”.

Daqui surgiram filmes como “Adeus, Até ao Meu Regresso” (1974), “Deus, Pátria, Autoridade” (1975), “As Armas e o Povo” (1975), “Cravos de Abril” (1976), “Torre Bela” (1977), “A Lei da Terra” (1977), “Terra de Abril” (1977), “Terra de Pão, Terra de Luta” (1977), “Bom Povo Português” (1981), por exemplo. Com estes filmes podemos perceber a importância e o poder que a imagem, a câmera, tinha sobre as pessoas. Uma arma que foi usada para fazer um retrato da época. Muitos destes filmes intervieram diretamente nas ações políticas e sociais dos acontecimentos. Estavam acontecer mudanças radicais em todo o país e naquele momento exacto, o cinema intervinha directamente, alterando muitas vezes o curso dos acontecimentos.