Quarta-feira, dia 30 de agosto, 21h45.
Quinta-feira, dia 31 de agosto, 21h45.
Sexta-feira, dia 01 de setembro, 21h45.
Sábado, dia 02 de setembro, 16h00.
Entrada Livre

Nascido no Porto, em 2014, o DESOBEDOC celebra o cinema, a rebeldia e a participação cidadã. Chega pela segunda vez a Viseu, numa parceria entre o Bloco de Esquerda e o Carmo 81, numa extensão que abrange quatro linhas de programação: a europa no pós segunda grande guerra, as assimetrias nas cidade, os 100 anos da revolução Russa e uma homenagem a Ken Loach.

Um conjunto de filmes que é também o pretexto para exercermos três direitos fundamentais: o direito à memória, o direito a pensar e a discutir as sociedades contemporâneas e o direito a imaginar uma sociedade mais justa e mais feliz.

Ao longo de quatro dias, a Carmo’81, sede da Cooperativa Acrítica, será lugar de reflexão, debate e festa aberta a todas e todos. É assim que gostamos das cidades e dos países: em diálogo com o resto do mundo, com entrada livre e um espírito insubmisso.

Programa
30 Agosto (Quarta, 21h45) – A Guerra na Europa
Prólogo (Visões da Europa), de Béla Tarr (6’)
Este pequeno filme surgiu de um convite ao realizador húngaro para realizar uma curta sobre a sua visão do seu país em relação à Europa. Béla Tarr faz um retrato da população da Hungria que sofre desde o pós-guerra até aos dias actuais.

Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini (103’)
Roma foi declarada “cidade aberta” pelo exército nazi ocupante entre 1943-44 para evitar bombardeamentos aéreos. Em junho de 1944, os aliados – em concreto uma força dos EUA – ocuparam a
cidade. Pouco mais de um ano depois, com a cidade ainda em escombros e escassos meses após a rendição da Alemanha que formalmente terminou a II Guerra Mundial na Europa, a 25 de setembro de 1945, estreia “Roma città aperta”, marco fundador do neorrealismo no cinema italiano. O cenário é a própria cidade, parcialmente destruída. A miséria é exposta e não escondida. O guião, que contou com a participação de Federico Fellini, baseia-se em acontecimentos reais, da resistência italiana à ocupação nazi. Muitos dos intérpretes são cidadãos não-atores, não somente pelo baixo orçamento do filme, mas principalmente cumprindo a essência da nova estética neorrealista. Um contraponto ao cinema celebratório fascista, uma perfeita oposição ao glamour e excesso, à fuga à realidade, da produção cinematográfica contemporânea nos Estados Unidos. E há a interpretação magistral da magnética e icónica atriz Anna Magnani, cuja personagem é inspirada na real Teresa Gullace, que fixou para a história do cinema a famosa cena da mulher assassinada quando corre para o seu noivo, capturado pelos Nazis. Otto Preminger disse: «A história do cinema divide-se em duas eras: uma antes e outra depois de Roma città aperta».

31 Agosto (Quinta, 21h45) – Cidades
A Propos de Nice, de Jean Vigo (25’)
Nice, 1930. O olhar de Jean Vigo, neste seu primeiro filme, leva-nos a uma visita a uma cidade tranquila,
com hotéis e casinos opulentos, promenades e banhos. Tudo começa como se fosse um postal, um vídeo
turístico. Felizmente, Jean Vigo é um realizador satírico e convida-nos a ver o que está por detrás desta realidade, com uma montagem dinâmica e justaposições. Vigo descreveu o filme numa comunicação no Groupement des Spectateurs d’Avant-Garde: “Neste filme, mostrando certos aspetos básicos de uma cidade, um modo de vida é julgado… os últimos suspiros de uma sociedade tão perdida na sua fuga à realidade que nos incomoda e nos faz simpatizar com uma solução revolucionária “.
Frente e Traseiras, de Regina Guimarães (14’)
Pela frente, a rua e seus anjos da guarda. Nas traseiras, as quase longínquas aldeias de Las Hurdes que Buñuel filmou nos anos 30. Frente a casa, a luta laboral de um conjunto de operárias maltratadas por um patrão sem escrúpulos. Nas traseiras, um cheiro acre a incêndio. Frente a casa, o lampião que a “renovação urbana “ não tardaria a roubarnos.
Rat Film, de Theo Anthony (82)
“Nunca houve um problema de ratos em Baltimore” – diz Harold Edmond, um exterminador veterano – “é sempre um problema de pessoas”. “Rat Film”, a primeira longa-metragem de Theo Anthony, contém considerações existenciais (“um rato cego sonha?”) mas também pesquisa solidamente documentada sobre a política demográfica de Baltimore, revelando a vergonhosa história de segregação económica e racial da cidade. É uma notável combinação de análise e inovação criativa que une o passado e o presente, num belo e absurdo poema sobre as lutas que se impõem aos menos afortunados.

01 Setembro (Sexta, 21h45) – 100 anos da Revolução Bolchevique
25 de Outubro – O Primeiro Dia, de Yuri Norstein (8’)
Realizado para comemorar os 50 anos da Revolução Russa, o filme é uma homenagem aos artistas da época: poetas, músicos e pintores. Artistas que foram banidos nos anos 20, na União Soviética, por serem considerados demasiado “formalistas”. 40 anos depois, esta pequena curta-metragem também foi
considerada demasiado formalista e “politicamente fraca”. O filme mostra alguns posters políticos que enfatizam promessas que não foram cumpridas por Lenine.
O Início, de Artavazd Pelechian (10’)
Um ensaio cinematográfico sobre a Revolução de Outubro de 1917, realizado por um cineasta único, com uma linguagem que não conta histórias, mas que nos leva pela emoção. A imagem, o som e a montagem criam uma experiência visual original e inesquecível, uma força cinematográfica pura.
Ten Days That Shook The World (60’)
Um documentário dramatizado realizado pela Granada TV, nos 50 anos da Revolução Russa, que relata os acontecimentos de Outubro de 1917. Narrado por Orson Welles, o filme retrata o processo recorrendo às imagens do filme Outubro de Sergei Eisenstein, realizado em 1927, para comemorar os 10 anos da revolução, onde foram dramatizados e recriados os eventos de 1917.

02 Setembro (Sábado, 16h00) – Homenagem Ken Loach
Versus – A Vida e os Filmes de Ken Loach, de Louise Osmond (93’)
Um retrato divertido, provocador e revelador sobre a vida e carreira de Ken Loach, um dos mais célebres e controversos realizadores britânicos, que aos 80 anos coloca em perspetiva a sua carreira de 50 anos.
22h – The Flickering Flame, de Ken Loach (52’)
Em 1995, em Liverpool, cerca de 500 estivadores foram despedidos por se recusaram a quebrar a greve por melhores condições de trabalho. A dignidade destes estivadores e das suas mulheres, que resistiram negando-se a ir contra as suas convicções, é um retrato de toda a classe trabalhadora em Inglaterra num momento em que o governo de direita quis retirar direitos conquistados no passado. A câmara eficaz de Ken Loach neste filme, que é um exemplo poderoso de um documentário militante, expõe vários pontos de vista dos diferentes intervenientes nesta luta, incluindo a traição dos dirigentes sindicais aos trabalhadores.
23h – Festa Desobedoc
Muita música, diversão e convívio vão marcar o encerramento da segunda extensão do Desobedoc em Viseu.