Montanhas Azuis

Não é por acaso que o combo de Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas nos remete para sul, para um continente isolado, e para paisagens desconhecidas nos caminhos trilhados pelos três virtuosos: Montanhas Azuis cruza os rendilhados bucólicos de Lobo, o expressionismo de Franco e a desenvoltura harmónica de Pernadas num exercício geográfico novo para os membros desta contração de paragens tão distintas. Sintetizadores e guitarras colidem, lentamente, em camadas texturizadas com rugosidade analógica, característica do imediato e do puro. O que acontece em concerto às mãos deste trio luxuoso é perene, e habita esse espaço plena e singularmente.

Sinopse: Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas não são o trio mais provável, pelo que a possibilidade de ouvir as suas expressões fluviais desaguar no mesmo oceano sonoro é uma delícia por si só. Falamos de um ecossistema em que os rendilhados bucólicos de Lobo, as notas de pesos vários de Franco, e a desenvoltura melódica de Pernadas coabitam harmoniosamente. Uma possibilidade que se reveste de êxtase e expectativa e parte de três entidades familiares, mas se forma numa nova terra, noutro hemisfério sónico. “Ilha de Plástico”, selado pela Revolve, cruza as cores dos três virtuosos num quadro de tons pastel, em que tudo é intensidade e em que as intenções são conseguidas por osmose, não por disputa.

O espaço acordado entre todos descentraliza Franco, Lobo e Pernadas das suas paragens ocidentais, levando-os a uma certa australidade, tão bem descrita na nomenclatura Montanhas Azuis. Serve o nome como prenúncio das insinuações simples da faixa-título e de “Faz faz”, dos harpejos ao piano em incessante namoro com a guitarra de tons azul-pentatónico de “Duas Ilhas”, ou a imagética garrida de “Flor de Montanha” e “Sururu”, em que uma base de synths prepara exploração harmónica em teclas com tendência solenes

Em Montanhas Azuis há o contraste entre o que representa a cor e o calor que ela transmite, uma tensão entre binómios que surge em “Ilha de Plástico”, título que serve de convite a um disco composto maioritariamente por instrumentos analógicos, das guitarras aos sintetizadores. O tom azul descreve o calor e a rugosidade das expressões dos três músicos, como a intensidade da luz de uma estrela, e paralelamente deixa-nos antever as melodias frias, abandonadas em improvisações, que se ouvem invariavelmente no disco. Bem-vindos à “Ilha de Plástico”, o novo continente sonoro de Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas.

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